Unidos através da umbanda
- Minha Baixada

- 27 de abr. de 2019
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Juntos pela eternidade. Este será o juramento do casal Sheila Batista e Leandro Batista no ritual de umbanda

Juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza pela eternidade. Estes serão os juramentos feitos pelos noivos Sheila de Souza Firmino Batista e Leandro Gonçalves Batista no ritual da umbanda. A cerimônia será realizada na próxima segunda, 29, na Cabana Espírita de Pai Fabrício em Queimados. Lá vem a noiva, toda de branco, véu, grinalda e bouquet, tudo muito comum na maioria dos casamentos. O diferencial no ritual de umbanda é que a noiva é recebida por um cortejo formado pelos orixás do casal. Oxaguiã do noivo e Iansã, da noiva. A orixá Oxum abre o cortejo representado o amor e a prosperidade. Ao som dos atabaques, em ritmo cadenciado, as mucamas chegam primeiro perfumando e limpando o ambiente com seus defumadores e pétalas de flores, a água e a vela, também serão levadas ao altar. A cerimônia será ministrada por Pai Fabrício, que ainda não sabe se será ele mesmo ou alguma entidade, adiantou. A notícia deixou um suspense no ar. "Eu vou me preparar para a cerimônia mas alerto que os mentores espirituais podem sentir a necessidade de comandar o ritual e deixar sua benção ao casal", explicou. O ritual de casamento da umbanda africanista de Pai Fabrício segue uma tradição centenária deixada pelo fundador da casa há 105 anos, senhor Custódio de Souza Caravana. O juramento do casal é feito com as mãos trançadas por sete fitas com sete cores que representam as vibrações das sete linhas da umbanda: a água simbolizando a vida lava as alianças e molha as cabeças do casal através dos ramos de alecrim, erva que serve de purificação. O vinho, simbolizando o sangue de Cristo é utilizado, junto com o pão, remetendo à Santa Ceia, sincretismo religioso cristão. A vela representa a presença do sagrado, a luz iluminando os caminhos. Depois da cerimônia o casal recebe os cumprimentos dos convidados e segue em lua de mel. Eles passam a noite numa suíte presenteada pelo Premier Flat Hotel da cidade. A cerimônia será aberta ao público. Um encontro de almas Eu estava completamente desorientada, me envolvendo com drogas, levando uma vida que se continuasse daquele jeito eu não estaria aqui hoje, 13 anos depois para contar. Foi através dele que me apresentou a umbanda que posso dizer que fui salva. As meninas que moravam comigo, a maioria foi assassinada ainda adolescente e eu certamente também seria", conta emocionada. Sheila vivia na comunidade do Jacaré, Rio, cercada de violências sociais. Seu noivo também saiu de outra comunidade, o morro da Caixa D'água em Queimados, considerada uma das áreas de risco mais violentas da região da Baixada Fluminense. Ele também saiu deste local e hoje mora e trabalhana Cabana de Pai Fabrício, local onde ministra aulas de atabaque. "Eu vivo em função da minha religião e amo muito tudo isso porque me mantém na caridade que o pai determinou", relata. O casal se conheceu na casa de uma das médiuns e se apaixonaram à primeira vista, conta Sheila. "Vi aquele menino magrelo que só tinha dente, fiquei encantada e não saía mais da casa dessa médium que era ao lado do terreiro. Tudo isso fez com que eu me aproximasse da casa e acabasse entrando para desenvolver minha mediunidade, alinhar minhas energias tempestivas. Acredito que fomos salvos pela religião", lembra. Sheila é auxiliar de creche e atualmente atua como babá e Leandro aprendeu a fazer um pouco de tudo na construção civil, atualmente ele faz bicos nesta área, além de ser o responsável para manutenção do espaço.



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