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Casados com fé, na Umbanda de Pai Fabrício

  • Foto do escritor: Minha Baixada
    Minha Baixada
  • 30 de abr. de 2019
  • 3 min de leitura

O coração batia no ritmo dos ataques, junto com as lágrimas, a alegria de realizar o sonho de casar vestida de noiva. A emoção incontida marcou o casamento de Sheila de Souza Firmino Batista e Leandro Gonçalves Batista nesta segunda, 29, sob o ritual da umbanda africanista de Pai Fabrício, na Cabana de Pai Fabrício na cidade de Queimados. Juntos pela eternidade, estes foram os juramentos feitos pelos noivos. A cerimônia contou com a presença de mais de 300 fiéis.

A noiva foi recebida por um cortejo formado pelos orixás do casal. Oxaguiã do noivo e Iansã, da noiva, no entanto, a Orixá Oxum, chegou primeiro desejando o amor e a prosperidade ao casal. Ao som dos atabaques, em ritmo cadenciado, as mucamas entraram perfumando e limpando o ambiente com seus defumadores e pétalas de flores,. Cada casal de padrinhos abriu o caminho dos noivos com suas velas acesas em punho.

A cerimônia foi ministrada por Pai Fabrício. "Foi tudo muito lindo e emocionante. Difícil segurar as lágrimas ao ver meu casal de filhos de santo, se realizando e sendo felizes através de sua fé”, relatou. A cerimônia foi finalizada por um dos mentores da Casa, o espírito Pedra Branca que também deu sua bênção aos noivos.

Sem palavras para externar tamanha emoção, ficou difícil para as noivas ler seus votos perante o público. “As palavras se embaralham na minha frente, parecia que eu não sabia ler. Foi muito emocionante. Estava tudo muito lindo”, ressaltou a noiva Sheila Batista. Já o noivo, gostou tanto que quer casar novamente. “Estava tudo tão lindo que deu até vontade de casar mil vezes. Com a mesma pessoa”, claro, adiantou ele.

O ritual de casamento da umbanda africanista de Pai Fabrício segue uma tradição centenária deixada pelo fundador da casa há 105 anos, senhor Custódio de Souza Caravana.

O juramento do casal foi feito com as mãos trançadas por sete fitas com sete cores que representam as vibrações das sete linhas da umbanda: a água simbolizando a vida lava as alianças e molha as cabeças do casal através dos ramos de alecrim, erva que serve de purificação.

O vinho, simbolizando o sangue de Cristo é utilizado, junto com o pão, remetendo à Santa Ceia, sincretismo religioso cristão. A vela representa a presença do sagrado, a luz iluminando os caminhos.

Depois da cerimônia o casal recebe os cumprimentos dos convidados, jantou junto com os convidados e seguiram em lua de mel. Eles passaram a noite numa suíte presenteada pelo Premier Flat Hotel da cidade.

Um encontro de almas

Eu estava completamente desorientada, me envolvendo com drogas, levando uma vida que se continuasse daquele jeito eu não estaria aqui hoje, 13 anos depois para contar. Foi através dele que me apresentou a umbanda que posso dizer que fui salva. As meninas que moravam comigo, a maioria foi assassinada ainda adolescente e eu certamente também seria", conta emocionada. Sheila vivia na comunidade do Jacaré, Rio, cercada de violências sociais.

Seu noivo também saiu de outra comunidade, o morro da Caixa D'água em Queimados, considerada uma das áreas de risco mais violentas da região da Baixada Fluminense. Ele também saiu deste local e hoje mora e trabalha na Cabana de Pai Fabrício, local onde ministra aulas de atabaque. "Eu vivo em função da minha religião e amo muito tudo isso porque me mantém na caridade que o pai determinou", relata.

O casal se conheceu na casa de uma das médiuns e se apaixonaram à primeira vista, conta Sheila. "Vi aquele menino magrelo que só tinha dente, fiquei encantada e não saía mais da casa dessa médium que era ao lado do terreiro. Tudo isso fez com que eu me aproximasse da casa e acabasse entrando para desenvolver minha mediunidade, alinhar minhas energias tempestivas. Acredito que fomos salvos pela religião", lembra. Sheila é auxiliar de creche e atualmente atua como babá e Leandro aprendeu a fazer um pouco de tudo na construção civil, atualmente ele faz bicos nesta área, além de ser o responsável para manutenção do espaço.


 
 
 

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