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O bom filho à casa retorna

  • Foto do escritor: Minha Baixada
    Minha Baixada
  • 20 de jun. de 2019
  • 5 min de leitura

O bom filho a casa torna. A cidade de Maragogipe no recôncavo baiano, recebe neste final de semana seu filho hoje babalawô, Dr. Ivanir dos Santos e sua comitiva de 34 seguidores. A caravana começou a viagem na noite desta terça, 18, e chega ao seu destino somente nesta quarta, 19, depois de 24h de estrada para a festa de Oxóssi, patrono da casa onde foi feito no santo há mais de 40 anos. O babá foi iniciado no axé Ilê Alabaxé, pelo falecido Edinho de Oxóssi. Hoje o Ilê Alabaxé é uma referência religiosa no município de Maragojipe e no Brasil, pois conta com mais de 200 filhos, em Maragogipe, Salvador, Sapeaçu, Cruz das Almas, Feira de Santana, Alagoinhas, Candeias, Madre de Deus, Rio de Janeiro, São Paulo, Belém do Pará, Minas, Rio Grande do Sul e Estados Unidos. Atualmente a casa é dirigida pelo babalawô Robinho de Oxossi, conta o Babá Ivanir. Na estrada para quem vai para Maragogipe, está localizada a casa da Cajazeira, que já foi cartão postal da Bahia. É um candomblé antigo de ajunsun. Nasce uma canseira dentro da casa. Nesta cidade também tem o candomblé do Pinho, Gege. "Estou muito emocionado em voltar na casa onde eu fui raspado há 40 anos para Orixá. Onde dei todas as minhas obrigações. Onde meu Oxaguiã nasceu, onde dei minhas obrigações de um ano, três, sete, 14 e 21, e paguei minha navalha. Viva minha nação ketu", bradou. Seu pai de santo, Edinho morreu, há cinco anos e o babá desde então não voltou mais à sua casa onde será recebido com uma grande festa. Programação da festa de Oxóssi Ilê Alabaxé A caravana chegou em Salvador, Bahia nesta quarta, 19, na parte da tarde, mas pisa nas terras de Maragojipe somente na quinta por volta de 1h da madugrada. Na quinta, às 7h é recepcionada no terreiro com um café da manhã. Neste mesmo dia tem a cerimônia Orimalu (matança do boi e a cabeça vai em procissão para a roça) depois começam as obrigações. Depois o almoço. 15h tem o Padê Exu. A noite segue o xirê do candomblé. História do Axé ILÊ ALABAXÉ Pai Edinho foi iniciado pelo Babalorixá Lício de Souza Moraes em 2 de Fevereiro de 1964, aos 17 anos, sendo o dofono de um barco de três yawós - Oxossi, Nanã e Obaluaê. Cumpriu todas as obrigações de 01, 03, 07 e 14 anos com Pai Lício. Em 2 de fevereiro de 1971, pai Edinho torna-se Babalorixá e em 1973 funda o Terreiro Ilê Alabaxé, de nação Kêto, situado no município de Maragojipe, no Recôncavo da Bahia. Segundo Pai Edinho, tudo aconteceu a partir de um problema de saúde, quando mandaram que ele procurasse uma casa. Lá, ele fez os trabalhos e a primeira obrigação. Permaneceu por dois anos como abiã, estava com 14 anos, sem que melhorasse a sua saúde. Após a iniciação os problemas foram sanados, o que possibilitou Pai Edinho trabalhar, pagando as obrigações. Após os sete anos de iniciado, instalou-se onde atualmente é o Ilê Alabaxé. “Era ainda um chalé, uma casinha humilde, eu consertei, reformei e trouxe o meu santo. Com dois anos de iniciado eu comprei, era dia 13 de junho, dia de Santo Antônio. É aqui a minha morada. Eu quis fazer para o meu Orixá". As dificuldades apontadas por Pai Edinho não o desanimaram, pois contou com a cooperação de muitas pessoas. Segundo relata Pai Edinho, quando ele fundou o Terreiro teve que arranjar fio de telefone, para colocar luz. No barracão as pessoas comiam e dormiam, a cozinha e o banheiro eram cobertos de lona. Houve muita dificuldade, mas sempre se sentiu vencedor. Edinho: “Caiu um paredão na Rua do Céu e me chamaram pra tirar aquele cascalho, pra me dar um dinheiro. Eu fui. Peguei o dinheiro que ganhei e comprei uma roupa preta, comprei uma calça, camisa, botei luto por minha mãe e outra pessoa me chamou para outro serviço. Quando eu fui, tomei um corte muito grande e tive início de tétano e fui esbarrar no Pronto Socorro, que era no bairro do Canela. O médico, na hora de amputar a perna, disse: "gente vocês acreditam em espiritismo? Vá numa Casa ai pra ver alguma coisa". E passou as orientações ao povo. Foram numa Casa, me trouxeram uma coisa, passaram em mim, a febre começou a ceder e não cortaram a minha perna. Ai mandaram que eu procurasse uma Casa e eu fui na mesma Casa que eu tinha feito o serviço e ai fiz uma obrigação, que eu fiquei 2 anos como Abiã. Eu tinha 14 anos. Quando depois de 3 anos, ai o Santo queria ser feito mas ela não raspava. Ela fazia obrigação, mas raspar ela não raspava. Foi ai que depois eu vim tendo doença, tendo crise, passando momentos difíceis, dormi na rua em Maragojipe por não ter onde dormir, porque minha família não me aceitava, por causa do Candomblé. Passava fome. Mas eu na minha. Eu lavava roupa de noite pra vestir de dia. Mas eu permanecia firme, e dizia: “Eu não deixo meu Santo. Vou passar o que tiver de passar, mas não deixo meu Santo”. Mas depois que eu fiz, passei isso tudo, ai Oxóssi me levou pra essa casa, a Casa onde fiz o santo, casa de seu Lício. No dia que eu sai da casa de Santo, nunca mais passei fome, nunca mais dormi na rua, e nunca mais vim passar desespero na vida. No dia 13 de junho eu cheguei com 22 mil cruzeiros e passei a ser dono do Alabaxé, desta Casa. E ai eu fui lutando, construindo, carregando pedra, meu povo todo, muita gente em Maragojipe me ajudou, vinham aqui, a gente fazia aquela feijoada e o povo vinha trabalhar dia de domingo. Comecei primeiro aqui de madeira, casa de barro. E fui fazendo, fui construindo, fui lutando. Eu não tenho casa fora, mas tenho minha casa do meu Santo. Aqui é a minha morada. Eu quis fazer pra meu Orixá. A dele eu me cubro também com a casa que eu fiz pra ele, porque tudo que eu tenho quem me deu foi o Orixá. E ai nós estamos nessa vida. Eu luto e quero que todos façam com o Orixá como eu faço. Dê amor, carinho, respeito à religião. Porque o Orixá quando ele veio não escolheu, nem preto nem branco. Porque nós temos que valorizar nossa origem, nossa terra. Meus antepassados, meu tataravô foi africano, era escravo, trabalhou nesse engenho. Meu tataravô era negro. Eu tenho sangue negro nas veias. E o Orixá é tudo na minha vida. Ilê Alabaxé é aquilo que põe e dispõe de tudo e eu construí essa Casa e tenho orgulho."


 
 
 

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